Cirurgia de Catarata

nossa clinica21A catarata é por definição qualquer opacidade do cristalino humano, que é uma estrutura que fica localizada atrás da íris e pode ser visto pela área da pupila, também conhecida popularmente como menina dos olhos. Quando a gente nasce o cristalino é transparente e funciona como uma lente multifocal com capacidade de foco para várias distâncias.

Podemos classificar a catarata de várias maneiras. A mais comum é a catarata senil aonde o cristalino com os anos vai perdendo sua transparência e sua capacidade de foco. Essa opacidade pode se dar de várias maneiras; mais no centro da lente ou mais na periferia. Com o tempo essa opacidade pode atingir toda a lente e comprometer a visão levando a cegueira.

Por volta dos quarenta anos de idade, as pessoas começam a perder a capacidade de foco para perto e então, colocam os objetos de leitura mais distantes para conseguir foco até o momento em que não conseguem mais esticar os braços. Esse fenômeno é explicado em parte pela perda da capacidade do cristalino de fazer o foco. Qualquer trauma que afete o cristalino pode levar a sua opacidade e conseqüentemente a baixa de visão.
Existem alguns medicamentos, dentre eles os corticóides, que podem levar a formação de catarata precoce. No recém nascido também pode existir catarata, a chamada catarata congênita, que está relacionada a algumas alterações infecciosas como rubéola congênita, dentre outras. Não há até o momento nenhuma medicação que possa tratar ou prevenir a catarata. O único tratamento existente até o momento é o cirúrgico.
Há algum tempo atrás os pacientes que eram operados de catarata tinham que usar óculos que mais parecia um fundo de garrafa, pois não havia outro material que pudesse substituir o cristalino. Com o tempo, começam a surgir no mercado as chamadas lentes intra-oculares que tentam compensar o foco que era realizado pelo cristalino humano. Essas lentes passaram por várias evoluções. No começo, eram lentes rígidas e necessitavam de uma abertura grande do olho para colocação desse material. Nessa época havia um grande número de intercorrências e em geral a cirurgia demorava duas horas e era feita com anestesia geral. A partir de então, houve uma melhora da técnica cirúrgica e das lentes. Com isso, a cirurgia passa a ser realizada em grande escala no mundo todo. Já na década de 80 e 90 surgem os primeiros aparelhos de facoemulsifecação, conhecidos popularmente como LASER, permitindo a cirurgia ser realizada com mais rapidez. Atualmente uma série de novas tecnologias permite ao cirurgião de realizar cirurgias em média de 5 minutos com apenas o uso de colírios. As lentes evoluíram para materiais flexíveis podendo ser colocadas dentro do olho com uma abertura mínima que não necessita de ponto na maioria das vezes.
Hoje as novidades são as lentes intra-oculares multifocal que tentam mimetizar o cristalino humano e permitem com alguma restrição que a pessoa tenha visão de perto e de longe simultaneamente. Há um grande número de pacientes satisfeito com os resultados dessas lentes, contudo, há um grupo de pacientes que costuma referir dificuldades com halos e as vezes perda de foco momentânea, porém nesse grupo em geral por volta de 6 meses de pós-operatório há uma melhora espontânea das queixas. Alguns pacientes demoram um pouco mais e nesses casos pode-se tentar com o uso do laser na córnea melhorar os sintomas.
Essa parte das queixas subjetivas ainda é uma dificuldade a ser superada, mas poderia dizer que esses pacientes estão sendo reabilitados com certo grau de independência dos óculos como nunca se viu na historia da oftalmologia.
Há um esforço muito grande por parte dos cirurgiões para tentar buscar respostas e compreensão tanto daquilo que conseguimos medir como a acuidade visual, como daquilo que não conseguimos que são os halos, reflexos e perdas de foco momentâneo. Sabemos que o diâmetro da pupila e sua capacidade de contração exerce grande influência, mas vale sempre dizer que a respeito de todas essas inovações qualquer procedimento cirúrgico, quando feitos por nós homens, sempre haverá risco, pois não existe 100% de segurança.
Não há até o momento nada que volte a fazer a pessoa enxergar como se nunca tivesse tido problema. Não há perfeição e sim reabilitação. O que há é um desenvolvimento tecnológico muito grande que possibilita a realização de cirurgias de catarata sem ponto, sem dor e com anestesia através de colírios, reabilitando pessoas para enxergar perto e longe sem o uso de óculos, e que tudo isso é o mais próximo que conseguimos chegar de Deus.
Dr. Luis Antônio Demarco